http://wwwphy.princeton.edu/~steinh/
"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indizivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência." É difícil resistir à tentação de lembrar essa passagem de Nietzsche ("Gaia Ciência", IV, 341) sobre o eterno retorno para comentar um novo modelo cosmológico proposto por Paul Steinhardt, da Universidade de Princeton (EUA), e Neil Turok, do Centro para Ciências Matemáticas, em Cambridge (Reino Unido).Os dois cientistas publicaram na "Science" da semana passada um artigo em que sugerem um Universo cíclico, no qual haveria sequências intermináveis de Big Bangs (grandes explosões) alternados por Big Crunchs (grandes esmagamentos).As hipóteses propostas por Steinhardt e Turok encerram muita especulação (mais do que o normal mesmo em cosmologia, já o mais especulativo dos ramos da física) e vão contra a idéia largamente aceita de que um único Big Bang, a explosão primordial, deu origem ao Universo.Não pretendo, por incompetência na matéria, alongar-me em discussões técnicas sobre a consistência de um Universo cíclico. Interessa-me apenas o modo como cientistas tratam teorias rivais.Há dois anos, em abril de 2000, cientistas do grupo do italiano Paolo de Bernardis, da Universidade de Roma, anunciavam -até com alguma exaltação- que haviam colhido indícios altamente convincentes em favor do modelo de um Universo em expansão eterna, o Big Bang único e sem Big Crunch.Variações mínimas na temperatura da radiação cósmica de fundo indicaram que não existe matéria suficiente no Universo para que a força da gravidade provoque o colapso de suas estruturas. O Universo seria assim plano, infinito e se expandiria indefinidamente. A hipótese do Big Crunch parecia mais afastada. Esse ainda é o modelo que podemos chamar de "oficial".Já a idéia de Universo cíclico de Steinhardt e Turok opera com outros pressupostos. Ele utiliza em seus cálculos o conceito de energia escura. Ninguém sabe ao certo o que é a energia escura nem como ela atua, mas o fato é que ela está lá. Já foi detectada empiricamente.Sabemos, pelos cálculos de De Bernardis, que a gravidade interagindo com toda a matéria existente não teria força suficiente para provocar um Big Crunch. Mas, se acrescentarmos ao conjunto essa tal da energia escura -desde que ela atue como os pesquisadores acham que ela atua-, então o modelo ganha consistência.O bonito nas teorias cosmológicas é que, ao mesmo tempo em que elas são ciência em estado bruto, aproximam-se das grandes mitologias fundadoras. Pelo lado do Universo cíclico, vale lembrar que os antigos egípcios já falavam no eterno retorno do disco solar, das cheias do Nilo e das estações. A Lei de Thot proclama: "Tudo é ciclo".Pelo Universo plano, fala a própria Igreja Católica. O Vaticano já em 1951 afirmou que julgava a hipótese do Big Bang válida e não violadora da verdade. Com efeito, o mundo criado por um evento singular se aproxima bastante da idéia de um Demiurgo.Mas as semelhanças entre cientistas e religiões logo cessam. Na ciência, duas ou mais teorias rivais podem coexistir de modo mais ou menos sereno. Em religião, isso é bem mais difícil. Basta tomar o exemplo da difícil convivência entre judeus, cristãos e muçulmanos. E, vale lembrar, que esses três grandes monoteísmos cultuam o mesmíssimo Deus, aquele que mandou Abraão sair de Ur, na Caldéia, em busca da Terra Prometida.

O UNIVERSO ANTES DO BIG BANG
ResponderExcluirPara entendermos a auto criação do universo, temos que partir do nada material,
uma energia escura sem massa em estado de repouso ou vácuo quântico. Porque se fosse criado a partir de uma matéria existente não seria o início e sim uma etapa da criação.
Um sistema fechado sempre está sujeito à flutuação do ponto zero. Havendo o deslocamento de uma energia, receberá uma resistência em sentido contrário, como um pêndulo, iniciando um movimento ondulatório, e estará criado o espaço e o início do tempo. O vácuo em estado de repouso se opõe às forças de compressão ou expansão, mas a vibração de uma energia é natural, pois o espaço já foi criado, haverá apenas a troca de posição no espaço em instantes de tempo ad-perpetum.
A matéria é energia em vibração, a ciência percorrendo o caminho inverso da criação, decompôs a matéria em seus elementos constituintes até chegar à energia parada, onde não existe o espaço e o tempo, mas contêm todas as possibilidades de existência, inclusive o homem e sua consciência.
A primeira vibração do vácuo concentrou a energia num espaço reduzido, produzindo o aumento da velocidade da vibração pelas forças de compressão e expansão, gerando a primeira partícula, o bóson de Higgs que se desdobrou em Quarques, que se desdobraram em Prótons, Nêutrons e Elétrons, e estavam criadas as partículas para a montagem dos átomos de hidrogênio. Formando um universo desse gás, sujeito à atração gravitacional, para formar estrelas e dar início à produção em série dos elementos químicos que compõem o universo atual.
Esta, deve ter sido a trajetória da auto criação do universo, se houve uma grande explosão foi muito depois que o universo já estava criado.
Se não foi assim, teria que haver uma inteligência fora desse sistema, como supôs Platão, um deus, o demiurgo (“fabricante” ou “artesão”), que, contemplando de fora como observador, tratou de produzir suas experiências de criação, sujeitas a erros de percurso, culminando com o acidente de uma grande explosão. Para depois seguir com novas experiências, inclusive a vida, tantas vezes interrompida aqui na terra, e teríamos que perguntar, quem criou esse demiurgo? E assim sucessivamente.
É muito mais lógico o panteísmo de Anaxágoras, Giordano Bruno, Spinosa e outros, que Deus é a natureza. Se a matéria é energia em vibração, como disse Virgilio, (“Mens agitat molem” o espírito anima a matéria). O espírito de Deus ou vácuo quântico se expressa na matéria, tornando-se o UNO de Plotino. Portanto, Deus é espírito e matéria, se não fosse assim nem estaríamos nos referindo a Ele.
A tradição mística, sempre divinizou o espírito e erroneamente demonizou a matéria, agora as religiões deverão assimilar essa nova compreensão da realidade, para se reconciliarem com o divino, sob pena de continuarem ofendendo a Deus.
Pelo exposto, deduz-se que a auto criação é dinâmica, não segue nem um propósito, como disse o sofista Protágoras (não há nada decretado no céu para ser cumprido na terra, o homem é livre para fazer e desfazer o que lhe aprouver para o seu destino). Tanto é assim, que o futuro da humanidade é incerto, vai depender da ação dos governantes das nações.
A ciência descobriu Deus, com outros nomes, embora não admita, mas para nós pensadores teístas basta, para continuarmos a nossa fé justificada.
Ivo da Silva Bitencourt -30/12/2009